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O infografista que não conhecia o Pi
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A imagem abaixo foi retirada da última edição do Expresso e já consigo dizer, apesar de ainda mal ter começado o ano, que se trata da infografia mais trapalhona de 2008:

Se repararem com atenção, a relação entre os números e as áreas que os representam não é a mesma. Vejamos, por exemplo, o números de casamentos e divórcios em 2000. São 63.752 casamentos e 19.104 divórcios. Isto signfica que a proporção entre divórcios e casamentos é de um divórcio para 3,3 casamentos, ou seja, 1:3,3. No entanto, a área da imagem que representa os casamentos é muito maior do que a pequena área que representa os divórcios. Mais precisamente, a proporção entre as áreas é de 1:10.
Com os dados de 2006, a disparidade é idêntica. Um proporção de 1:2 nos números e de 1:3,4 nas áreas.
Finalmente, a terceira e última disparidade surge na informação sobre o número de nascimentos e se já dava para suspeitar a razão destas asneiras todas, ela é agora óbvia, como verão. Os números dão-nos uma proporção entre crianças nascidas fora e dentro de um casamento de 1:2,2 enquanto que as áreas indicam que é 1:8,7. Coisa pouca. Mas pronto, já estávamos à espera.
O problema, pode dizer-se, foi o artista ter feito o boneco a torto e a direito sem perceber que nem todos conseguem escrever direito em linhas tortas. Deixando-me de rodeios e indo direito ao assunto, o infografista achou que um círculo com o triplo da altura de outro teria uma área três vezes maior do que a outra. Errado. O raio do círculo cresce numa dimensão; o sacana do círculo cresce em duas. Como qualquer pessoa pode ver olhando para a imagem, mesmo que não perceba nada de círculos ou mesmo que venha de um círculo que se inspire nas linhas.
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