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![]() Nestas férias, acampei na ilha de Tavira. O percurso e a estadia demonstraram-me que o Sul de Portugal de está ser invadido por espanhóis. No Alentejo, milhares de pinheiros plantados há pouco tempo sinalizam as propriedades que os espanhóis exploram. É estranho ver pinheiro manso no meio do sobrado, mas sempre é melhor que o eucalipto. Já em Tavira, a invasão foi outra. Inúmeros espanhóis ocupavam o Parque de Campismo. Mesmo que não fossem muitos, pareciam muitos, afinal, qualquer grupo de pessoas a berrar o tempo todo acaba por parecer composto por muito gente. Berravam muito, nunca se fartavam de dizer Coño! e tinham uma bizarra predilecção em jantar ao pé das casas-de-banho. Aconteceu o pior a Tavira. Foi invadida pelos espanhóis que não têm dinheiro para passar férias em Espanha. Labels: Alentejo profundo, campismo, Espanha, espanhóis, férias, invasão, pinheiros, Tavira
![]() Há alguns anos, quando Cavaco Silva era Primeiro Ministro, ocorreu o incidente Pulo do Lobo/Alentejo profundo. A memória já me trai quanto aos detalhes, mas essencialmente foi assim: Toda a gente quer encontrar Cavaco Silva para obter declarações sobre um assunto potencialmente melindroso (já não me lembro precisamente o quê). Após vários dias sem ninguém saber o paradeiro do Primeiro Ministro, este é finalmente abordado e os jornalistas fazem-lhe as urgentes perguntas. A todas Cavaco responde com o mesmo desassombro. Que tinha estado a descansar no Pulo do Lobo, situado no Alentejo profundo, onde não havia acesso à informação e que por isso não podia responder a nenhuma pergunta, uma vez que ainda não sabia o que se tinha passado. Naturalmente, toda a gente caiu em cima de Cavaco Silva. Ninguém acreditava que houvesse um local assim no país, afastado de toda e qualquer fonte de inormação. Pois bem, venho desfazer este terrível equívoco. Estive no Pulo do Lobo há uns três anos e voltei a ir lá este ano e posso comprovar que tudo o que Cavaco disse estava absolutamente correcto. No Pulo do Lobo não há jornais (não são vendidos nos dois únicos estabelecimentos comerciais da povoação — dois cafés minúsculos), não há rede de telemóvel e a televisão que há é recebida via parabólica. Resumindo, o Pulo do Lobo é de facto um fim de mundo. Ali ninguém sabe de nada, é fisicamente impossível. Fica assim aqui o meu contributo para clarificar este episódio do nosso folclore político. Cavaco disse a verdade. Estava de facto num sítio onde não podia ouvir ninguém. Ou seja, este Primeiro Ministro tinha de facto uma boa desculpa. Labels: Alentejo profundo, Cavaco Silva, José Sócrates, Pulo do Lobo |
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