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[Do som mais sujíssimo que anda aí] 
>Three-Way 
>Magnetic Fields
 

Autoria
 
    Calvin
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        bloggercalvin
        arrobaguêmeilepontocom

 
Contribuições
 
    Astronauta Spiff
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    Homem Estupendo
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    Hobbes
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Macacadas

 

 (8)



Foram os chimpanzés selvagens que contaminaram os humanos com o vírus da sida (Público)

A maneira como o Tarzan olhava para a Chita nunca me enganou.

   

 

Cooperativa Láctea

 

 (3)



Jerónimo chama Pilatos a Sócrates (Portugal Diário)

Com esta fífia imperdoável, Jerónimo Sousa perdeu assim a oportunidade de conquistar o queijinho castanho na final do Campeonato de Trivial Pursuit do Comité Central do PCP, abrindo assim o caminho a Bernardino Soares para a conquista do título deste ano. Melhor sorte para o ano, Jerónimo.

 

Refinamento

 

 (4)



Uma florista do Mercado do Bolhão nunca poderá aspirar a ser florista em Covent Garden.

   

 

À letra

 

 (5)



Quem tem boca vai a Roma.
Todos os caminhos vão dar a Roma.
Em Roma, sê como os Romanos.

A crer na sabedoria popular, a não ser que tenhamos gravíssimos problemas de saúde, não nos livramos de Roma. E uma vez lá, ficamos como eles.

Políticos corruptos já temos. Pargas de Ferraris também. Ou já metemos a carroça à frente dos bois ou já chegámos a Roma.

 

Matemática e Português

 

 (3)



Qualquer coisa sobretudo é nada.

 

A nossa micro-causa

 

 (4)

Alguém que me explique depressa como é que funciona essa coisa das micro-causas que eu quero ajudar o Pedro Miguéis. Ou se calhar uma macro-causa. Talvez seja melhor. Esta já histórica promessa da música ligeira portuguesa está em sofrimento e já nem nas fotografias promocionais consegue disfarçar a sua agonia.

Veja-se nesta fotografia, Pedro Miguéis visivelmente combalido com um ataque de gases e falta de ar.



Já na fotografia seguinte é uma amigdalite que o faz soçobrar.



Ou isso ou ter que actuar nos Alunos de Apolo. Ou isso ou ter que partilhar o palco com o consagrado conjunto musical "4ª Audição" (aposto que o nome do grupo deve ter uma «história muito engraçada»).



Bem, afinal são seis micro-causas.

 

Brasas

 

 (1)



Lá fui ver como estava o Campo Pequeno. É um Centro Comercial, pouco mais há a dizer. Mas houve um pormenor que me chamou a atenção na zona da restauração (onde, ao contrário do que sempre espero, nunca vejo ninguém a correr espanhóis ao pontapé). O Café A Brasileira (aquele que tem no logotipo um Quasimodo andrajoso a saborear uma bica com um sorriso ébrio), tem lá um balcãozito patético. Uma tristeza.

À parte da miséria que é ver aquele espaço que nada tem a ver com A Brasileira do Chiado, tomai cuidado, extremosas esposas, pois agora quando o vosso marido vos disser que vai sair para ir à brasileira do Campo Pequeno, poderá mesmo assim ir enfiar-se novamente no Passerelle sem estar a mentir.

   

 

Portugal é um jardim

 

 (10)



Portugal nunca ganhou o Festival da Canção da Eurovisão. A melhor classificação foi um 6º lugar.

Afinal, não estamos assim tão atrasados.

   

 

Verdade desportiva

 

 (10)



Não consigo descrever com rigor o quão irritante acho o Maradona. Nunca achei a mínima piada a esta figura. Fazia uma coisitas engraçadas, é certo. Mas daí até ser o melhor futebolista de sempre? Não dá. O perfil não encaixa. O melhor futebolista de sempre não pode ser um atleta atarracado, gorducho e com ar de labrego. Não concebo um mundo onde no pódio está uma cabeleira daquelas.

 

Embirração

 

 (2)



Conselho Superior chumba nomes de Souto Moura (Correio da Manhã)

José e Adriano não são um espectáculo, mas também não são assim tão maus. Aníbal é muito pior, por exemplo.

 

Nulo

 

 (5)



O ‘rapper’ Boss AC prepara-se para actuar domingo no CCB (Correio da Manhã)

Isto é a subversão da subversão, não é? O que virá a seguir? Moonspell no Casino Estoril?

 

«O soutien é giro...»

 

 (5)



Nas ruas de Lisboa, o acidente espreita a cada 100 metros. Os condutores, movidos por um ímpeto incontrolável, esticam o pescoço, olham para o retrovisor, fazem malabarismos, avançam com sinal vermelho, ficam parados no sinal verde, tudo para conseguirem ver o outdoor da Impetus. É um mundo mágico!, preocupado com a sinistralidade rodoviária, sacia a curiosidade do público: é mesmo tudo transparente, como podem ver.

Eu sei, os grandes formatos são sempre mais apelativos, mas em todo o caso, não há pressa em rever o anúncio enquanto conduzem. Há tantos espalhados pela cidade que toda a gente deve ter um à frente de casa.

Pensava eu que os rabitos das moças do Rock in Rio já era uma fotografia atrevidota. Um anjinho é o que eu sou. Já estou como os meus pais: qualquer dia, não sei onde é que isto vai parar (Tremo só de imaginar no que os bancos podem fazer à volta dos spreads).

 

Postex

 

 (13)



Não acredito no plano Simplex apresentado por José Sócrates. Não faço ideia se é mau, se é exequível, mas comigo tem a credibilidade irremediavelmente fragilizada. Tudo seria diferente se não se chamasse... Simplex. O Simplex goza de uma terrível e popular propriedade partilhada por muitas marcas e produtos que é aquele sufixo tenebroso. O -ex. Um produtex cheira logo a pobrex. Como não presta para nadex, vai de ter um nome sonorex para chamar a atenção e ter um ar sofisticadex - e vejam como a leitura deste texto vai soando cada vez mais patética e ficando cada vez mais penosa à medida que vão surgindo mais palavrexes. Não é por acaso que os chungosos têm particular predilecção em utilizar este sufixo em exercícios de Português criativo.

Eu até consigo perceber que esta minha aversão não tem nada de racional. Mas a escolha de nomes destes, concedam-mo, também não. Apresento de seguida algumas marcas e produtos que foram cimentando esta minha repulsa.

Domplex (plásticos) - Nada me apaga da memória os antigos anúncios da fábrica de plásticos Domplex, em que uma voz roufenha enaltecia a durabilidade, polivalência e resistências dos fabulosos plásticos de fabrico nacional enquanto víamos passar Domplex na linha de montagem, Domplex na cozinha acondicionando alimentos, Domplex na lota acondicionando sardinhas, Domplex em fotografia de família (uns caixotes feiíssimos em cores berrantes). Tudo aquilo tinha um aspecto miserável.
Junex (esquentadoes) - Tinham um anúncio de TV indescritível. Lembro-me de ser acompanhado por um cha-cha-cha cuja letra era "Em cada casa, uma cozinha. Em cada cozinha, um Junex". Um pesadelo.
Trex (pastilhas elásticas) - Tinha vergonha de as pedir e proferia o seu nome com desdém. Não há pior palavra no mundo que Trex.
Churrex (churrascarias) - Não há terra neste país onde não se possa ir buscar um frango a uma Churrex. Ouvir dizer "vou buscar um frango à Churrex" provoca-me gargalhadas incontroláveis.
Jotex (vestuário) - Com um nome destes, sempre imaginei as malhas Jotex como a roupa de eleição das sopeiras. Hoje é vê-las no Portugal Fashion. As malhas também.
Japex (utensílio de cozinha) - Talvez poucos saibam o que é isto. Utensílio de cozinha metálico que servia para cortar batatas em finas rodelas para quem tivesse pachorra para as fritar assim em vez de comprar um pacote de Pala-Pala.
Platex (aglomerado de madeira) - Os móveis baratos eram feitos em platex. Uma cotovelada e partia-se logo tudo. Ainda haverá uma ou outra gaveta com o fundo em platex, mas sempre está escondido.
Timex (relógios) - Maus relógios. Feios. Quando explodiu a moda dos relógios digitais não havia ninguém que não tivesse um, com inúmeras funcionalidades idiotas e apitos que deixavam a plateia boquiaberta.
Redex (tapa-fugas de pneus) - Todo o conceito de um tapa-fugas tresanda a banha da cobra. Sendo Redex, ainda pior.
Renex (transportadora rodoviária) - Quem viaja na Renex vai para muito longe. Para quem cresceu no Ribatejo, como eu, ficava a ideia de que quem viajava na Renex ia "para o Norte", que era para mim o sítio mais longíquo que eu podia imaginar e que na viagem de volta trazia presuntos.

Depois de tudo isto, não há produto acabado em -ex que mereça a minha confiança. Introduzir estes termos num qualquer diálogo ou narração retiram-lhe qualquer verosimilhança. Ora reparem:

Acordei com o nariz entupido mas o Nasex estava fora de prazo. Também já não havia Kleenex e tive que me assoar a um rolo de Scottex. O chão estava repleto de embalagems de Durex e as costas doíam-me. Devia ter comprado o colchão Molaflex em vez do Colunex, mas paciência. Fui até à cozinha e fiz um sumo de laranja na Moulinex e aqueci um bocado de bacalhau que estava no Pirex. Olhei para o meu Rolex mas tinha ficado sem pilhas. Espreitei pela janela e mal consegui ver o relógio do painel publicitário. O vidro está a precisar de Glassex, pensei eu. Tomei um banho e acabei o frasco de Sanex.

Só percebi a razão desta utilização obsessiva do -ex através da explicação dada na televisão pelo Sr Ribeiro, relojoeiro de profissão. O Sr Ribeiro decidiu que havia de ter o seu nome no Guinness como o construtor do relógio com maior número de funcionalidades no mundo inteiro. Comprou uns livros, estudou o assunto e após uma tentativa falhada nasceu o RIJOMAX (É certo que não é um RIJOMEX, mas o princípio subjacente à escolha aplica-se igualmente). O RIJOMAX era um monstro feito de cartões e pedaços de relógios avariados entre outros entulhos e ocupava uma parede inteira da relojoaria do Sr Ribeiro, justificadamente orgulhoso da sua obra, que media o tempo em várias métricas e em vários pontos do globo e até do sistema solar. Finalmente, e numa rara atitude da classe, a jornalista faz a pergunta que todos queríamos que ela fizesse e à qual o Sr Ribeiro não se fez rogado em responder no seu sibilante sotaque beirão.

-Então, ó Sr Ribeiro, por que é que o relógio se chama RIJOMAX?
-Então... O RI, é de Ribeiro... Que xou eu, não é? O ZO é de Zoão, que xou eu. E o MA é de Manuel, que xou eu. Zoão Manuel Ribeiro...
-Então e o xis?
-O ziz? O ziz... O ziz é para dar mais saída ao nome!

   

 

Todos juntos

 

 (2)



O presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses afirmou hoje que o decreto-lei que prevê a compra dos imóveis pelos inquilinos quando os senhorios não realizam obras "é perfeitamente dispensável e não tem qualquer interesse". [...]
O presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Manuel Metelo, considerou hoje, em declarações à Lusa, "inconstitucional e utópica" a proposta do Governo.
(Público)

Esta proposta do Governo tem um mérito. Não parece mas tem. Conseguir reunir o consenso de inquilinos e senhorios é qualquer coisa de inimaginável, mas o Governo conseguiu-o com uma mera proposta de decreto-lei.

Que este salutar espírito de comunhão entre inquilinos e senhorios sirva de exemplo para todos os portugueses e que o Governo mantenha esta pontaria. Faremos deste mundo um sítio melhor para viver se dermos importância às coisas que nos unem e não às que nos separam.

 

Já sabes esta?

 

 (2)



Decapitado em parque de diversões. Viajava num comboio em miniatura. Morreu ao entrar num túnel. (Portugal Diário)

O Portugal Diário está sem dúvida para a web como 24 Horas está para a imprensa escrita. Os seus redactores têm o dom de tranformar tragédias em anedotas, com o mero recurso a uma judiciosa utilização da linguagem. Já não falando do critério que utilizado para considerar algo uma notícia. O que é que o Luís Osório lá está a fazer na lista de colunistas é que eu gostava de saber.

 

Fantástica gala

 

 (2)



Perto de 5000 pessoas na gala de reabertura da Praça de Touros do Campo Pequeno (Público)

Acabou-se o descanso aqui na zona. Após anos a estacionar calmamente o carro à porta de casa, já sei o que me espera. Sim, porque a aficción taurina e a súcia consumista gastam o que for preciso para ver uma corrida ou encherem-se a casa de tralha, mas pagar meia dúzia de tostões pelo estacionamento, ó-ó!, é que lixa o orçamento. E entalar o carro do residente é estratégia não poucas vezes usada.

Resta-me o consolo de saber que a alta concentração de proteínas num vulgar ovo de galinha lhe confere uma consistência bastante viscosa e aderente.

 

Quem?

 

 (2)



O dirigente socialista Manuel Alegre convocou os apoiantes da sua candidatura presidencial que integram informalmente o Movimento Intervenção e Cidadania (MIC) para uma reunião no próximo dia 27, com o objectivo de oficializar aquele movimento.
(Diário Digital)

O problema aqui é que os apoiantes, além de já nem se lembrarem que raio apoiaram, muito menos se lembram de ter aceite integrar o que quer que fosse passados tantos anos (é esta a escala de tempo percepcionada onde se situa a candidatura de Alegre). Talvez, quem sabe? Entre um croquete e um pastelinho de bacalhau, até pode ser. Pelo sim, pelo não, vão aparecer na reunião na esperança de que se venham também a esquecer disto. E de que haja beberete.

   

 

Rançou

 

 (4)



Corria o longíquo ano de 1983 e ia no seu 3º ano de edições a genial revista Pão Comanteiga, extensão impressa do homónimo programa da Rádio Comercial. A ficha técnica incluia, como podem ver, Carlos Cruz.



Na edição nº 20, na secção Pequenos Anúncios, onde se parodiavam os pequenos anúncios que ainda hoje continuamos a encontrar em qualquer jornal diário, podemos ver os seguintes anúncios.












É um mundo estranho, este.

   

 

Não se aponta que é feio

 

 (2)



OCDE: indicador sobre a economia portuguesa melhorou em Março (Público)

Num país
  • dominado culturalmente pelo mindinho de unha avançada;
  • em que o polegar é invariavelmente erguido, por mais catastrófica que seja a situação que é instado a resumir;
  • onde o anelar importa menos que os anéis;
  • onde o médio vive permanentemente tão esticado como o Presidente da República,
Só mesmo o indicador para nos trazer alguma esperança.

 

A mais bela pensão do mundo

 

 (1)



O BES reservou a madrugada de 16 de Maio para espalhar dez mil cachecóis oficiais da Selecção Nacional na Avenida da Liberdade, em Lisboa. Pendurados em bancos de jardim, sinais e postes, os cachecóis pretendem agarrar as mãos e o olhar dos portugueses e, em especial, das portuguesas para a acção de apoio à Selecção, que arranca na sexta-feira. (Jornal de Negócios, 27/Abril/2006)

Pela madrugada e na Avenida da Liberdade, a que tipo de portugueses e, em especial, portuguesas espera afinal o BES chamar a atenção? Será que os cachecóis são atoalhados?

 

Esparregata

 

 (0)



José Sócrates diz que o relatório da OCDE é pura «futurologia». O documento refere que Portugal vai continuar a crescer abaixo dos dois por cento e aconselha o Governo a continuar a aprofundar as reformas para aumentar a competitividade. (TSF, 20/Abril/2006)

O primeiro-ministro, José Sócrates, sustentou hoje que a subida do indicador avançado da OCDE para Portugal é um sinal de confiança na melhoria gradual da economia portuguesa. (Diário Digital, 15/Maio/2006)

Sou um perfeito nabo no que toca a questões económicas. E ainda bem, caso contrário, estava capaz de dizer que o nosso Primeiro-Ministro demonstra uma flexibilidade invejável na avaliação que faz às previsões da OCDE. Ou dito doutra forma, que só vê o que lhe convém. E se assim fosse de facto, não teria mal nenhum. Seria apenas um alinhamento de estilo com a Presidência da República.

 

Concorrência desleal

 

 (3)


Prémios Meios e Publicidade entregues no CCL [...] Na categoria de melhor diário generalista estavam nomeados os jornais Público, 24 Horas, Jornal de Notícias e Correio da Manhã, com o título da SonaeCom a vencer a categoria. (Diário Digital)

Um prémio para o qual o 24 Horas é um jornal nomeado para melhor jornal generalista e o Diário de Notícias nem por isso, deve ter tanto prestígio como uma rameira em fim de carreira. Como é que se pode ficar contente com um prémio destes? Fica aqui a minha solidariedade para com a redacção do Público.

   

 

Alívio

 

 (10)



Parece que o assunto Dino já se esgotou nos media.

PS - E assim que acabo de escrever este post, na TVI a personagem de uma telenovela caseira berra chorosa Deixem-me fazer o luto do meu filho em paz! Coincidências cósmicas.

 

¿Pero que mierda?

 

 (3)



O ministro da Saúde acusou a oposição de «nacionalismo bacoco» por causa da polémica em torno do encerramento da maternidade de Elvas. Correia de Campos fez eco das palavras de Sócrates que considera a hipótese de dar à luz em Badajoz uma forma de igualar as mulheres pobres às ricas. (TSF)

Para Sócrates y su muchacho Correia, ter um filho é o mesmo que comprar caramelos. Não querer ver Naturalidade: Badajoz no BI do filho não passa de nacionalismo bacoco.

Eu gosto de Portugal e gosto de cá viver. Mas ter criaturas destas à frente do meu país faz-me pensar se o meu nacionalismo não será mesmo bacoco. Quem é que no seu perfeito juízo tem vontade de continuar cá (a ter filhos ou fazer seja o que for) com Espanha mesmo aqui ao lado? Joder.

 

Bloqueio revisto

 

 (3)

Depois de ter acusado a Polícia Municipal de ter feito vista grossa à infracção de um Mercedes AMG, safando-o de um bloqueio e de uma multa enquanto a outros automóveis nas mesmas condições ia sendo aplicada uma carraça metálica numa das rodas, vejo-me obrigado a rever as minhas afirmações.

O senhor agente estava meramente a ser rigoroso e só me apercebi disso esta manhã. No mesmo local onde esteve estacionado o referido Mercedes, estavam hoje estacionados seis carros, como se pode ver pela montagem seguinte.



Este idílico cenário de um parqueamento organizado é apenas conspurcado pela presença do terceiro carro a contar da esquerda, o único bloqueado. Porquê, perguntam vocês. Por isto.



Por aqui podemos concluir duas coisas. Primeiro, que a minha máquina fotográfica não é grande coisa. Segundo, que o carro foi bloqueado por estar com uma roda no passeio.

O segredo está aqui. O calcetado é sagrado. Pode-se estacionar livremente em zonas ajardinadas e até passar pelo passeio para lá estacionar. Agora no passeio é que não. Nem mais um centímetro de borracha no calcário.

Esta situação faz-me lembrar os jogos que a criançada jogava no meu tempo. Invariavelmente havia um local a que se chamava o 'coito' e quem não estivesse lá arriscava-se a levar pontapés, murros e chapadas, tudo perpetrado ao abrigo de uma inquestionável legitimidade. Mas uma vez chegados ao coito éramos intocáveis e ai daquele que se distraísse e nos tocasse num cabelo: levava a mesma dose de pancadaria e não piava.

Se a EMEL vos andar a fazer a vida negra, já sabem. Há metros e mais metros quadrados de relva por essa cidade fora à espera do vosso estacionamento.


   

 

Marte ataca

 

 (5)


 

O algodão não engana

 

 (6)



Peço imensa desculpa, mas vou ter que usar este blog para manifestar uma repulsa crescente que tenho vindo a sentir desde há alguns meses. E não vai ser bonito.

Sinto um profundo nojo pela senhora da limpeza que é responsável pela higiene do prédio em que trabalho. Atrevo-me mesmo a dizer que é uma porca. Que exagero, dirão vocês. Que eufemismo, direi eu, chamá-la de senhora da limpeza.

As tarefas da dita senhora resumem-se na maior parte do tempo a lavar o chão com uma esfregona imunda e despejar cinzeiros e caixotes de lixo. Quando há beatas mais teimosas e escolhos mais comodistas que teimam em não abandonar os seus aposentos temporários com solícita sacudidela, a profissional de higiene vê-se obrigada a esgravatar os recipientes com notável destreza manual até se encontrarem vazios. Isto só por si apresenta grande problema, se ela tiver (como aparentemente tem) estômago para não utilizar um qualquer instrumento coadjuvante a esta raspagem. A higiene está acautelada pela utilização de umas luvas amarelas de borracha.

O problema reside no facto de estas luvas serem usadas permanentemente. Seja no descrito esgravatanço, seja no empunhar da esfregona, seja no manuseio de maçanetas, torneiras e objectos alheios, aquelas luvas são as intermediárias previligiadas da acção e vontade da senhora "da limpeza". Arrepio-me cada vez que abro a porta da minha sala. Tento fazê-lo com a ponta dos dedos e rezo para que esteja apenas encostada.

Tenho vontade de esbofetear a senhora "da limpeza". Chamá-la à razão não faz sentido. Alé de ser maior do que eu, se ainda não se apercebeu da porcaria que faz, é absolutamente desaconselhado tentar explicar-lhe o que quer que seja, havendo a agravante de ela ter duas luvas que me pode arremessar à cara.

Com gente assim responsável pela limpeza, não admira que no outro dia tenha havido uma desinfestação de pulgas. Às vezes até parece que estou a trabalhar num circo.

 

Grita Moda!

 

 (4)



É verdade. A fantástica colecção Primavera/Verão 2006 do Casão Militar já está disponível.

A grande aposta vai para as criações do Tenente António José, onde os camuflados em tons terra são a nota dominante, a par com os khakis enrugados para situações mais informais.

A vida na caserna promete ser mais fácil, face à importância dada à escolha dos materiais. O Tenente conseguiu harmonizar o conforto do algodão com a resistência do polyester.

Associado ao lançamento desta nova colecção, poderemos adquirir juntamente com o Jornal do Exército, e por apenas mais 4,90€, um estojo de sobrevivência disponível em três fabulosos estampados, ideal para o paramilitar prático que não dispensa alguma elegância nas suas férias no deserto.

 

Festa

 

 (2)



Koeman deixa comando técnico do Benfica (Público)

Vendo bem, o final da época não foi assim tão mau para o Benfica.

 

Bloqueio cerebral

 

 (9)

Esta manhã, chegando de carro à praceta junto da qual fica o meu actual local de trabalho e algo de perfeitamente insólito se faz notar de imediato. Os passeios que até ali hospedavam dezenas de carros encontravam-se de novo entregues à utilização dos peões. A explicação era óbvia e qualquer português que se preze chega lá: Andam a multar.

Alguns metros mais à frente e chega a confirmação.



Uma criatura vestida de Polícia Municipal vai multando os carros estacionados no passeio, devidamente assistido por três pajens que tratavam de imobilizar os objectos de infraccção.

Até aqui tudo bem. A dado momento, a razia de coimas cessa inesperadamente nesta viatura.



Trata-se de um Mercedes AMG. Não percebo nada de carros mas parece-me ser seguro afirmar que é brinquedo para custar um balúrdio de dinheiro. Teve sorte, pensei eu, acabaram-se os bloqueadores quando a comitiva chegou ali.

Mas, alguns metros à frente...



Ou eu assisti ao milagre da multiplicação dos bloqueadores, ou assisti à demonstração prática de um novo sistema de ABS da Mercedes. Depois do Anti-Blocking System, temos o Anti-Blocker System e trata-se de um conceito bastante simples. O aspecto nada barato do carro actua como inibidor da acção da mielina nos miolos de broncos vestidos de Polícias Municipais, provocando assim uma pequena pausa na actividade electroencefálica do sujeito. Esta transição é acompanhada por relaxamento do tónus intestinal e consequente incontinência e de murmúrios que se assemelharão a qualquer coisa como é melhor é não arranjar chatices.

Quando se compra um Mercedes, também se está a comprar segurança. Passiva.

   

 

À pesca

 

 (9)

O universo da pesca é-me absolutamente indiferente e os apregoados encantos que os adeptos arvoram estão-me completamente vedados. Para mim, um peixe é um bom peixe quando grelhado no carvão e regado abundantemente de azeite do galheteiro. O hobby não me suscita a mínima curiosidade e acho fascinante que haja pessoas para quem a pesca é uma paixão.

No entanto, esta indiferença pode ter chegado ao fim e devo-o à revista Mundo da Pesca. Esta publicação mensal destaca-se naturalmente no escaparate graças ao seu cuidado e apelativo aspecto gráfico e à promessa de, em conjunto com o leitor, desvendar os mais fantásticos segredos. Eis a dita capa.



Como não ficar seduzido com a expectativa de ver desvendados os segredos da rabeca, ainda por cima com o aval de um farto bigode, ornado por funcional panamá e ostentando orgulhoso o seu bojudo pescado?

Folheando as páginas, cresce a expectativa sobre a rabeca e as suas manhas incógnitas e eis que a primeira revelação tem uma carga dramática inesperada.



Com espanto e atestando a minha profunda ignorância no tema, vejo que afinal a rabeca não é um peixe, mas sim um acessório. E ainda por cima, não um acessório qualquer, e sim a própria salvação do pescador.
-Então Morais? Essa pescaria?
-Olha, se correu bem, foi graças à minha rabeca.
-Pois... Eu sempre achei que tinhas uma bela rabeca.

Navegando pelas páginas desta revista, vou ganhando alguma inveja ao ver o deleite com que os pescadores exibem o produto das suas jornadas. Alguma vez serei capaz de exibir tal orgulho e satisfação? Estará algum dia o meu espírito habilitado a espalhar tão gargalhante entusiasmo pela objectiva, como por exemplo este bem sucedido jovem?



Ou o que dizer da próxima fotografia que ilustra tão adequadamente o tema A bexiga natatória?



O franco sorriso, a cúmplice piscadela de olho quase nos confidenciando com garbo que nem a bexiga natatória conseguiu safar aquele desgraçado. A felicidade poderá muito bem ser qualquer coisa parecida com isto.

Nota-se que o grafismo da revista é calculado ao pormenor. Veja-se este bonito detalhe de uma achigã de bocarra aberta. Se uma imagem vale por mil palavras, esta é um enorme poema.



A estética da dentição é aliás bastante cultivada no meio, pelo menos pelo que se pode ver neste anúncio a uma edição especial da revista.



É bem sabido que a goela aberta e os dentes arreganhados são a janela da alma peixeira.

Outra curiosidade que salta aos olhos de quem folheia esta revista é a natureza magistral do pescador. Repare-se na fotografia que acompanha o artigo Panier, o trono do pescador.



O panier, fiquei a saber, é o banquinho onde os pescadores se sentam. Correcção: é o trono ondem se sentam os reis pescadores. E ao ver esta fotografia, que dúvidas podem restar? Basta verificar a pose majestosa do monarca, empunhando o seu ceptro em direcção dos seus súbditos e veja-se o nobre e alvo tecido que pende no sumptuoso trono do conquistador.

Mas ser pescador não é apenas ser rei. É ser Deus. E é um test drive a um carreto que no-lo mostra.



Desenhado no Olimpo e apenas digno de um ser irreal. E com que pose divina os pobres mortais são agraciados...

Há bastante publicidade espanhola nesta revista mas é preciso estar bastante atento para o notar. Por exemplo, este texto de 112 palavras tens uns meros 22 erros ortográficos, não falando dos gramaticais.



Finalmente, termino o relato desta minha epifania com um anúncio que vai mudar a minha vida e sei lá eu a de quantos leitores. Aparentemente, é um anúncio normalíssimo a iscos canas de pesca.



No entanto, uma leitura cuidada do texto promocional revela qualquer coisa de muito mais excitante até do que os segredos da rabeca. Já se sabia que a pesca é muitas vezes uma actividade solitária e foi por isso que a NBS fez a nova SPIN POWER.



A nova SPIN POWER da NBS permite realizar um TWITCHING ou um JERKING sem cansar os braços. Agora percebo a paixão da pesca.

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