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«Touradas só na cama!»
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Três dezenas de organizações internacionais anti-touradas vão juntar-se esta quinta-feira frente à Praça de Touros do Campo Pequeno, no dia em que se celebra o primeiro aniversário da reabertura desta arena, apelando a um mundo livre de touradas. (SIC)
As
organizações lá estiveram, como também lá esteve a
afición. (E eu lá andei pelo meio, a tirar fotografias. Se alguma ficar mais ou menos, logo vo-la mostrarei.)
Descobri algumas coisas interessantes enquanto me passeava entre as duas multidões.
Uma (que salta à vista) é que esta gente toda nunca se vai entender. Hão-de fazer-se mil manifestações e nenhuma das partes vai compreender o que a outra está ali a fazer ou como foi ali parar. Esta clivagem é tão crítica como se torna difícil convencer alguém a pensar realmente no que está a fazer e para o que está a contribuir ao chamar-lhe
merda humana (por muito adequada que seja a alegação).
Outra coisa engraçada é o preço dos bilhetes. O mais barato custava 22,50€. O mais caro 75,00€. Os lugares mais caros eram os mais próximos da barreira, onde se tem uma pobre perspectiva da lide e da arena mas onde a visão e o cheiro do sangue são mais intensos. Lugares ricos em ferro.
Sou Ribatejano e como tal, fui ensinado a gostar de touradas e gosto de facto de ver touradas. Felizmente, também tive sorte de ser ensinado a pensar. Não posso deixar de gostar de touradas, mas é-me inevitável acreditar que elas devem acabar.
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