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[Do som mais sujíssimo que anda aí] 
>Three-Way 
>Magnetic Fields
 

Autoria
 
    Calvin
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        bloggercalvin
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Contribuições
 
    Astronauta Spiff
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    Homem Estupendo
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    Hobbes
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O infografista que não conhecia o Pi

 

 (1)

A imagem abaixo foi retirada da última edição do Expresso e já consigo dizer, apesar de ainda mal ter começado o ano, que se trata da infografia mais trapalhona de 2008:



Se repararem com atenção, a relação entre os números e as áreas que os representam não é a mesma. Vejamos, por exemplo, o números de casamentos e divórcios em 2000. São 63.752 casamentos e 19.104 divórcios. Isto signfica que a proporção entre divórcios e casamentos é de um divórcio para 3,3 casamentos, ou seja, 1:3,3. No entanto, a área da imagem que representa os casamentos é muito maior do que a pequena área que representa os divórcios. Mais precisamente, a proporção entre as áreas é de 1:10.

Com os dados de 2006, a disparidade é idêntica. Um proporção de 1:2 nos números e de 1:3,4 nas áreas.

Finalmente, a terceira e última disparidade surge na informação sobre o número de nascimentos e se já dava para suspeitar a razão destas asneiras todas, ela é agora óbvia, como verão. Os números dão-nos uma proporção entre crianças nascidas fora e dentro de um casamento de 1:2,2 enquanto que as áreas indicam que é 1:8,7. Coisa pouca. Mas pronto, já estávamos à espera.

O problema, pode dizer-se, foi o artista ter feito o boneco a torto e a direito sem perceber que nem todos conseguem escrever direito em linhas tortas. Deixando-me de rodeios e indo direito ao assunto, o infografista achou que um círculo com o triplo da altura de outro teria uma área três vezes maior do que a outra. Errado. O raio do círculo cresce numa dimensão; o sacana do círculo cresce em duas. Como qualquer pessoa pode ver olhando para a imagem, mesmo que não perceba nada de círculos ou mesmo que venha de um círculo que se inspire nas linhas.

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É fazer a conta

 

 (4)

Sou consumidor habitual dos iogurtes líquidos Sveltesse da Longa Vida. Tenho particular preferência pela estirpe Aloe Vera. Aquele espécie de cactos (ninguém me convence que o Aloe Vera não são as comuns piteiras que vemos à beira das estradas dos aldeamentos algarvios) dota o iogurte de um curioso sabor a verdura que acaba por ser agradável.
Além disso, acho graça a números. E a publicidade. E quando se trata de publicidade que mete números, fico logo alerta. Vejam esta festa:



Um fartote. Mais 20%! Que é como quem diz, um quinto. Será que esta gente perdeu a cabeça? Será que há dumping de Aloe Vera? Assim parece, pois não nos cansam de anunciar o novo Maná:



Mais 20% parece de facto uma barrigada de Aloe Vera. Mas como eles próprios dizem,



É bom saber. É bom saber o que é que significam estes 20%. Foi exactamente isso que pensei quando provei esta «Nova Receita» com «+20% de Aloe Vera». É que apesar das profunda mudanças que +20% introduzem na composição da beberagem, só pensava na Coca-Cola Zero: «Sabe igual!» (Ugh!)



2,4%. Que fartote de Aloe Vera. Ou seja, Antes, 2% deste iogurte era sumo de Aloe Vera. Agora é 2,4%. Que maravilha. Não bebam muito disto senão a pele fica esverdeada.

Se a intrujice é óbvia, por outro lado não há qualquer inexactidão nos dados apresentados. Refira-se que não é sem arte nem engenho que se conseguem obter números convenientes. Neste caso o truque está em saber que valores comparar para obter uma percentagem sexy.
Agora imaginem que em vez de iogurtes estávamos a falar de fogos florestais. Há truque na menor área ardida nos últimos anos?

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