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![]() A aquisição pela SporTV dos direitos de transmissão dos Grandes Prémios de Fórmula Um deixou-me desolado. Agora como é que é suposto um gajo dormir a sesta depois do almoço de Domingo sem aquele rrrrRRRRNNHÉÉÉUUMMMmmm... característico? O sentimento de orfandade é inevitável. Afinal, foram vários anos da minha vida a encontrar no sofá da sala as duas horas do melhor sono que uma tarde de Domingo podia ter. A largada e as três primeiras voltas ainda me mantinham acordado. Para um miúdo, a expectativa de ver carros pelos ares e condutores irritados a atirarem o volante para o chão era o equivalente a uma bica dupla com dois pacotes de açúcar. Mas uma vez desfeita essa ansiedade, chegavam os sedativos rrrrRRRRNNHÉÉÉUUMMMmmm... rrrrRRRRNNHÉÉÉUUMMMmNNHÉÉÉUUMMMmNNHÉÉÉUUMMMmmm... para finalmente acordar passado duas horas e ver os vencedores no pódio no seu banho de champanhe. Se a função da RTP é prestar serviço público, que nos devolva a Fórmula Um nos Domingos à tarde. Ou os Patinhos. Não aceitamos menos do que isso. Filmes bíblicos também são bem-vindos. Ou documentários sobre... ... Sobre a vida selvagemnnzzzz... Labels: dormir, filmes bíblicos, Fórmula Um, quando os tempos eram outros, RTP, tardes de Domingo, vida selvagem
![]() Andava eu a vasculhar o baú de infância e dei de caras com o Monopólio, instrumento lúdico e educativo como não havia igual. Com ele, as crianças preparavam-se para a vida real. Aprendiam a negociar e a maximizar o seu lucro. Percebiam que acumular a posição de jogador com a de banqueiro era extremamente proveitoso, caso a sua estratégia não enjeitasse a trafulhice. Tudo isto contribuindo para atingir o glorioso objectivo final - levar à ruína os adversários. Não admira que continue a ser um jogo saudosamente popular entre os adultos. Hoje em dia não sei, mas na altura em que eu jogava Monopólio toda um variadíssimo leque de aspectos da vida adulta eram apresentados aos jovens jogadores através dos cartões da Sorte e da Caixa da Comunidade. Sem se aperceberem, as crianças eram apresentadas ao futuro que as aguardava. Graças àqueles pequenos cartões, as crianças aprendiam a desempenhar os muitos papéis que a vida de adulto lhes exigiria. Por exemplo, o papel de típico condutor português:
O jovem gestor aprendia que a velocidade e a embriaguez são coisas más ao volante, ainda que não seja possível escapar-lhes. Outro aprendizagem era descobrir que há despesas incontornáveis: ![]()
Note-se a graça de ter que pagar a conta do médico. No universo do Monopólio é impensável ir ao médico da Caixa. Mas nem tudo é mau. Para fazer frente a todas estas adversidades, podemos sempre optar pela carreira da agiotagem: ![]() Era também feita a antevisão de outro momento de regozijo à volta das finanças pessoais - o reembolso do IRS: ![]() Não são esquecidos outros tipos de actividades que podem gerar riqueza considerável: ![]() Importa reter dois detalhes acerca deste cartão, ambos relacionados com a relativização. Em primeiro lugar, notem que se trata do segundo prémio e não do primeiro. Faz todo o sentido. Há que incutir algum sentido de humildade na criançada e é necessário mostrar-lhes que aquela tia que nos esborracha enquanto dá beijos húmidos não está a ser inteiramente objectiva quando diz que somos a coisinha mais linda do mundo. O segundo aspecto a considerar é o valor do prémio. Maior do que os juros do empréstimo a 7% e o reembolso do IRS juntos. O Monopólio a apontar as direcções para a riqueza futura. O cartão seguinte estava para o Monopólio como o Joker estava para o Poker. Era meio jogo ganho. Na verdade não era bem assim mas havia uma aura mística à sua volta que o tornava extremamente cobiçado. Mal sabíamos nós na altura o quão adequado e realista era o poder deste cartão. ![]() Livres da prisão, independentemente de já lá estarmos ou não. As crianças travam conhecimento com o conceito do indulto impessoal e diferido. O que é que passará pela cabeça de uma criança que subitamente percebe que não irá parar à prisão porque tem maneira de se safar? Ou que pode safar alguém da prisão (vendendo o cartão, como está explicitamente indicado). Dificilmente se encontra um jogo mais fiel à realidade do que o Monopólio e quase somos capazes de apostar que o seu inventor foi português. Não fosse pelo cartão seguinte. ![]() Labels: crianças, educação, jogos, Monopólio, quando os tempos eram outros
Directamente da República Checa, trago-vos uma das mais tenebrosas coisas jamais feitas para lá da Cortina de Ferro. Má propaganda política. A primeira mensagem é de 1946: trabalho e paz para a República, bem-estar para o povo. [clicar na imagem para ampliar] Tudo nesta imagem é terror e o plano contra-picado dá uma rara intensidade dramática à composição. O ar tresloucado dos próprios populares não ajuda nada. Quem é que acredita que aquele martelo não vai acabar na cabeça da jovem ceifeira? Quem duvida que a foice vai em breve encontrar a goela do camarada operário? Sem dúvida, perturbador. Mas não tanto como o próximo cartaz anunciando o apoio estatal a jovens casais nos anos 70. [clicar na imagem para ampliar] A família Adams em versão comunista nos anos do disco. Tudo mete medo, da semente do Diabo que sopra a primeira velinha até ao jovem cabeça de casal. O único enquadramento lógico para este pesadelo é o regime checoslovaco ter usado cadáveres empalhados para a sessão fotográfica. Com propaganda assim, não admira que quisessem fugir. Labels: Checoslováquia, Comunismo, onde é que eles estavam com a cabeça?, propaganda política, quando os tempos eram outros, República Checa
![]() Labels: diskette, quando os tempos eram outros, tecnologia
![]() Há-de chegar um momento em que os miúdos vão começar a perguntar por que é que a opção de Gravar tem aquele ícone esquisito que não se parece com nada. Labels: disquete, quando os tempos eram outros, tecnologia |
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